terça-feira, 1 de novembro de 2011

A vocação missionária do Povo de Deus


A vocação missionária do Povo de Deus

          A vocação missionária

          A missão podemos dizer que ela é trinitária pelo fato de ter origem na Trindade Santa. Com isso temos uma igreja peregrina, que por sua natureza é missionária; teve sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, por vontade de Deus Pai. Edificada pela ação evangelizadora de Jesus e plenificada pelo sopro do Espírito, em Pentecostes, ela deve, em todos os tempos lugares, continuar a missão recebida pelos Apóstolos de realizar o desígnio salvífico do Pai.
          A missão de Jesus teve inicio com o seu chamado aos discípulos para segui – lo, pois toda vocação missionária tem como ponto de partida a opção radical por Ele. Naquele momento Jesus chama os seus discípulos para o anuncio do Reino, para o desafio do seu seguimento, para a vivência do seu testemunho. E hoje somos convidados e desafiados a seguir e a ter os mesmos sentimentos e olhar para o irmão com a ternura de Jesus.
          Ao aceitar a missão a que Jesus nos convida, somos impulsionados a ir por todo o mundo, como discípulos missionários anunciando a todos os povos, batizando e ensinando o que Jesus fez e disse, pois cada discípulo é um missionário e como essa missão somos convidados a anunciar a Boa Nova e denunciar a injustiça, os males sociais e tudo o que é contra o Reino de Deus.
          A missão essencial da igreja consiste em anunciar o mistério salvífico, revelado em Jesus Cristo e realizar o plano misericordioso de Deus, que é dar continuidade a ação de Jesus e testemunhar as suas maravilhas em nossas vidas.
          O apelo missionário hoje: O mandato missionário de Jesus aos seus discípulos manifestado de muitas maneiras e assumindo vivamente pelas primeiras comunidades cristãs, continua vivo e ressoando em nossos corações.
“Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).
“Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Filipenses 2,5).
“Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês, porque vocês cooperaram no anuncio do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.” (Filipenses 1, 3-5).
“Agradecemos continuamente a Deus por todos vocês... pela fé ativa, pelo amor capaz de sacrifícios e pela firme esperança que vocês depositam em nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Tessalonicenses 1,2-3).
“Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres!” (Filipenses 4,4).
          Dando prosseguimento a esse processo, parece necessário agora, refletir sobre a ação missionária do Povo de Deus. De um lado, é preciso discernir quais sejam os campos que precisam de maior atenção, e, de outro, revitalizar a consciência missionária dos protagonistas da missão, revisar a sua maneira de entender a missão e de dar sentido a esse chamado. E sobretudo, trata – se de reavivar o espírito missionário para encarar com zelo missionário os desafios que sentimos hoje.
          Características da ação missionária do povo de Deus: Desígnio do Pai, missão de Jesus e Ação do Espírito na Igreja. O desígnio de Deus é que todos os homens se salvem (Tm 3,5). Deus amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho (Jo 3,16). E Jesus envia os seus discípulos para que continuem a sua missão (“Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Jo 20,20). Os discípulos, testemunhas de Jesus, realizam a sua missão pregando o Evangelho de Jesus Ressuscitado, revelador do amor do Pai para todos os homens e instaurador do Reino. Ele envia o seu Espírito para continuar a sua obra.
          A ação missionária, em seguimento à Missão de Jesus, consiste na proclamação do Reino de Deus, instaurado por Cristo, que leva a uma conversão radical e se vive na fidelidade à sua Palavra e ao seu Espírito.
          “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, para isso é que fui enviado” (Lc 4,43). Jesus anunciou o Reino de Deus, a grande realização do amor de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime o homem. Com muitos sinais e uma pregação infatigável mostrou que esse Reino já está presente e espera a sua realização definitiva.
          Os discípulos, seguindo a Jesus, percebem que Ele é o Centro do Reino, a revelação do amor do Pai. E anunciam, com sinais e prodígios, que em Jesus todos os povos e raças foram chamados a ter a vida definitiva, que tem sua origem e consumação na própria vida comunitária da Trindade.
          Todos são chamados a participar desse Reino. A todos é dada essa possibilidade. Invertendo as expectativas do seu tempo, Jesus fez sinais e pregou para homens e mulheres dentre os “gentios” e até procurou, especialmente, os “marginalizados” pelo sistema e culturas dominantes.
           Os discípulos, sob a luz do Espírito Santo, entenderam que o agir de Jesus exigia ir, também, aos outros povos. E saíram para fazerem discípulos de todos os povos e raças.
           O chamado de Deus aos pobres é origem da Missão. Para Jesus são eles os destinatários privilegiados da Missão: O objetivo fundamental da sua Missão é “anunciar a Boa Noticia aos pobres”, para isso Ele se sente ungido e enviado (Lc 4,18); declara – os bem – aventurados; multidões sofridas, famintas e cansadas, quais ovelhas abandonadas, cercam – no sem cessar, suscitando n`Ele profunda compaixão e ardente caridade pastora; aos pobres, em primeiro lugar, anuncia o Evangelho Salvador; para eles, principalmente, multiplica os milagres , sinais eloqüentes da libertação; com eles se identifica; dentre eles escolhe os seus Apóstolos. A Evangelização dos pobres é critério da autenticidade da Missão (Lc 7,22). Destinatários privilegiados da Missão, eles são, também, seus agentes principais e mais numerosos.
          Missão um modelo antigo e sempre novo. Toda missão implica, pois, a opção pelos pobres; toda verdadeira e evangélica opção pelos pobres se explicita na missão, o primeiro e maior serviço que lhes podemos prestar.
          A ação missionária não é um luxo de igrejas que abundam recursos e pessoal, mas é a dimensão essencial da própria eclesialidade.
          O Reino de Deus em Jesus, dom do Pai, que todos podem receber como graça e misericórdia, exige uma conversão radical, uma modificação profunda dos modos de ver e do coração. Exige, também, inserir – se na comunidade dos que seguem a Jesus e escutam o seu mandamento “Ide, pregai a Boa Nova.”
          A atuação missionária da Igreja parte da fé no Espírito Santo, protagonista principal de toda Missão eclesial; sua presença ativa brilha esplendidamente na missão “ad gentes”, agora como na Igreja primitiva. O mesmo Espírito que ungiu para a missão de Jesus de Nazaré é dado por Jesus aos seus Apóstolos, então como agora, juntamente com o mandato missionário. É ele que prepara os corações, nas diversas culturas e línguas, para acolher a semente da Palavra e aponta os caminhos da missão, através da história.
          O Espírito nos ajuda a discernir as condições necessárias da missão hoje.
          Como campos mais concretos que desafiam nossa opção pastoral hoje podemos destacar: a Missão “além fronteiras”, as regiões mais afastadas e a  Amazônia, e as realidades urbanas. E como ambientes específicos: o sistema econômico – social, a diversidade das culturas, a comunicação e os jovens.
          Sentimos o chamado a ir “alem fronteiras” como uma graça e um apelo: devemos doar a fé e termos experiências pastorais muito validas para partilhar com outros irmãos de quem também queremos conhecer as experiências e aprender.
          Em algumas regiões do Pais exige mudanças um novo agir pastoral, novas atitudes, novos métodos, novos locais e espaços para o encontro e o dialogo pessoal. Uma vez evangelizados acontece a renovação da humanidade, através de novas ações e atitudes, sendo que essas atitudes e tarefas destacam – se, por sua importância, o testemunho, o anúncio e o diálogo.
          Testemunho: É a primeira, insubstituível e permanente forma de evangelizar; é através do nosso testemunho que podemos assim despertar o gosto pela missão. O anuncio missionário, sempre se faz preceder e acompanhar da fidelidade a Cristo, da solidariedade com os irmãos, da caridade e do servir.
          Anúncio: Não podemos reduzir a missão ao testemunho, pois temos como base, centro e vértice da Missão, o anúncio expresso de Jesus Salvador, Morto e Ressuscitado, por quem nos é oferecida a autentica libertação e a vida nova. De modo a despertar a resposta salvífica da fé.
          Diálogo: É através do dialogo que os membros da Igreja imitam o amor e a paciência de Deus, que atuou e atua em todas as pessoas, povos e culturas e vai tecendo, misteriosamente a única história de salvação que todos envolve.
          É de suma importância o dialogo entre os cristãos e os não cristãos, que após o Concilio Vaticano II, passou a olhar com bons olhos na posição salvífica esse contato, bem como outras religiões.
          Se numa época recente a Missão parecia ser algo especifico de grupos ou seguimentos determinados do povo de Deus (padres, religiosas e religiosos), hoje está nascendo uma consciência clara de que a evangelização é tarefa de todos, e de maneira especial dos leigos. A proposta da Conferencia de Santo Domingos sobre o protagonismo dos leigos na ação evangelizadora dá um novo destaque a esta consciência.

Jovens de Fé vivem e anunciam a Palavra


Diocese de Cajazeiras
Zonal de Cajazeiras
Jovens de Fé vivem e anunciam a Palavra
Assessora: Edileuda Maria Cavalcanti de Assis

     A todos os amados de Deus..., chamados à santidade: Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo (Rm 1,7);
     Primeiramente como discípulo, missionários, que somos pela graça do Batismo, jovens de fé, somos convocados a viver a Palavra, anunciar a Palavra, e participar da missão de Jesus Cristo.  Com esse gesto passamos a manter uma relação intima e profunda com o Deus da Vida, ao passo que conhecemos, nos apaixonamos,  testemunhamos e anunciamos a Palavra Salvífica, através da Sagrada Escritura, não só nesse ano que vivenciamos em nossa Diocese o Ano da Palavra, mas em todos os dias de nossa vida.
     É pelo conhecimento da Palavra que tomamos consciência que precisamos assumir e edificar a Igreja, desenvolvendo os diversos ministérios que ela oferece, seja o ministério sacerdotal, religioso ou laical, que somos nós mulheres e homens que assumimos a missão; e é a partir deste horizonte que se entende os convites feitos pelo Sínodo a todos os cristãos para aprofundar a relação com a Palavra de Deus, não só como batizados mas também enquanto chamados a viver segundo os diversos estados de vida; esse é também um dos pontos fundamentais da doutrina do Concilio Vaticano II, que sublinhou a vocação à santidade de todo fiel, cada um no seu próprio estado de vida. E se falamos de situações de vida diferente não poderíamos esquecer a importância do jovem que conhece a Palavra, vive Palavra e anuncia a Palavra. Para reforçar proclamamos o texto da Bíblia que revela a nossa vocação a santidade “Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 11,44, 19,2; 20,7). Independente das nossas idades cronológicas precisamos ser santos, como o nosso bom Deus, e eis o convite a santidade aos jovens neste dia de hoje.
     Na Exortação Apostólica Pós – Sinodal Verbum Domini nos diz: que assim como a chuva e a neve descem do céu para regar e fazer germinar a terra, assim também a Palavra de Deus “não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter executado a minha vontade e cumprido a sua missão (Is 55, 10-11). Donde podemos concluir que o caminho para a missão é a Palavra de Deus revelada, testemunhada e anunciada por todos nós discípulos e missionários,  a serviço do Reino de Deus implantado em nosso meio. E a juventude ocupa um lugar de suma importância nesse anuncio, pois como queremos atingir as camadas mais jovens, se não temos jovens anunciado a Palavra em nossas comunidades.
     Uma vez conhecendo a Palavra, precisamos e devemos dar o nosso testemunho cristão e missionário, anunciando, tendo a coragem e o desprendimento de ir aonde for preciso, tendo sempre como base a mensagem de Paulo “Ai de mim se eu não evangelizar”. E consciente de que precisamos sempre nos abastecer na fonte da vida, a Palavra. Devemos também ter a responsabilidade de uma vez alimentados, buscar transmitir aquilo que por nossa vez tínhamos, por graça recebido com a missão de dar continuidade ao projeto de Deus em nossas vidas. Porque o anuncio cristão não consiste num pensamento, mas num fato: A Revelação de Cristo.
     Somos convidados a anunciar a Palavra nos mais diferentes e distantes lugares, a missão além fronteiras, porque a Palavra que anunciamos, não é anestésica, mas desinstaladora, pois ela chama a CONVERSÃO, fato este que promove o nosso encontro pessoal com Deus Uno e Trino, e com isso surgindo uma humanidade nova.
     O Sínodo reafirmou que é missão nossa anunciar a Palavra de Deus e dever de todos os discípulos missionários de Jesus Cristo, em conseqüência do seu Batismo, pois ninguém que crê em Cristo pode sentir – se alheio a responsabilidade que deriva do fato de ela pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo.
     Nos tempos presente, nas situações mais difíceis e na missão ad gentes precisamos ter essa coragem de anunciar e de denunciar, onde constantemente somos desafiados a viver de forma correta e justa o nosso batismo, seguindo o exemplo dos profetas que aqui viveram. Hoje nós somos convidados a participar da mesma missão que eles viveram, deixando de viver escondidos atrás de uma pastoral, de um grupo ou de um movimento de manutenção, para viver a pastoral da ação, da evangelização, do serviço, deixarmos o eu, para ir ao encontro do nós.  E isso é o grande desafio nosso, neste dia que celebramos o DNJ (Dia Nacional da Juventude), com o tema “Jovens de fé, vivem e anunciam a Palavra”.
     Precisamos deixar brotar em nós o ardor missionário, porque é vivendo essa paixão pela missão de Jesus, que demonstramos o sinal da maturidade cristã e de uma comunidade eclesial. Mesmo muitas vezes sendo perseguidos  e vivendo os desafios do mundo moderno, é que damos o sinal cristão e testemunhamos a nossa fé e a nossa vivencia cristã, para que não sejamos como muitos que foram batizados, mas não foram suficientemente evangelizados, precisando de um novo anuncio, de modo persuassivo, de forma que possam conhecer a ação salvífica. Aqui quero trazer presente um fato acontecido na Assembléia Regional do Nordeste, no ano passado, em Jaboatão dos Guararapes – Grande Recife, que um dos Bispos presentes afirmava a necessidade de uma re iniciação cristã, CATECUMENATO, dizendo ele que muitos dos Bispos, padres e leigos presentes ainda não tinha sido evangelizado e isso me chamou muito atenção, mas a noite no meu descanso comecei refletir e vi que ele tinha razão, porque as nossas atitudes muitas vezes demonstram que precisamos conhecer mais a Palavra de Deus, viver mais e anunciar mais.  
     No mundo globalizado que vivemos é comum ver comunidades rica de fé e de vocações perdendo a própria identidade, sobre a influencia de uma cultura secularizada. Cabe a nós hoje despertar nas pessoas que estão fora, ou mesmo dentro dos nossos grupos, movimentos e pastorais, o gosto e o fascínio de seguir a Cristo, através do conhecimento por meio da Palavra.
     Vocês poderiam até me perguntar como fazer para despertar nas pessoas o gosto pelo anuncio, isso é muito simples, basta que cada um de nós, primeiramente conheça, uma vez conhecendo procuremos vivenciar, gerando assim o nosso testemunho de discípulos missionários comprometidos com o Reino, que busca dar continuidade anunciando, pois somos incapazes de anunciar aquilo que não conhecemos, não vivemos e não testemunhamos. Nesse momento cada um é chamado a fazer a sua reflexão de como está vivendo o seu Batismo.
     Quero aqui concluir a minha fala deixando três verbos: CONHECER, VIVENCIAR E ANUNCIAR A PALAVRA, para vocês jovens de fé, sinal da presença de Deus em nossas comunidades, meditarem e comprometerem com a nova Evangelização de nosso povo, pois já dizia Dom  Helder  Câmara: Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.  Anunciando e vivendo Palavra.