A vocação missionária do Povo de Deus
A vocação missionária
A missão podemos dizer que ela é trinitária pelo fato de ter origem na Trindade Santa. Com isso temos uma igreja peregrina, que por sua natureza é missionária; teve sua origem na missão do Filho e do Espírito Santo, por vontade de Deus Pai. Edificada pela ação evangelizadora de Jesus e plenificada pelo sopro do Espírito, em Pentecostes, ela deve, em todos os tempos lugares, continuar a missão recebida pelos Apóstolos de realizar o desígnio salvífico do Pai.
A missão de Jesus teve inicio com o seu chamado aos discípulos para segui – lo, pois toda vocação missionária tem como ponto de partida a opção radical por Ele. Naquele momento Jesus chama os seus discípulos para o anuncio do Reino, para o desafio do seu seguimento, para a vivência do seu testemunho. E hoje somos convidados e desafiados a seguir e a ter os mesmos sentimentos e olhar para o irmão com a ternura de Jesus.
Ao aceitar a missão a que Jesus nos convida, somos impulsionados a ir por todo o mundo, como discípulos missionários anunciando a todos os povos, batizando e ensinando o que Jesus fez e disse, pois cada discípulo é um missionário e como essa missão somos convidados a anunciar a Boa Nova e denunciar a injustiça, os males sociais e tudo o que é contra o Reino de Deus.
A missão essencial da igreja consiste em anunciar o mistério salvífico, revelado em Jesus Cristo e realizar o plano misericordioso de Deus, que é dar continuidade a ação de Jesus e testemunhar as suas maravilhas em nossas vidas.
O apelo missionário hoje: O mandato missionário de Jesus aos seus discípulos manifestado de muitas maneiras e assumindo vivamente pelas primeiras comunidades cristãs, continua vivo e ressoando em nossos corações.
“Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).
“Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo” (Filipenses 2,5).
“Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vocês, porque vocês cooperaram no anuncio do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.” (Filipenses 1, 3-5).
“Agradecemos continuamente a Deus por todos vocês... pela fé ativa, pelo amor capaz de sacrifícios e pela firme esperança que vocês depositam em nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Tessalonicenses 1,2-3).
“Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres!” (Filipenses 4,4).
Dando prosseguimento a esse processo, parece necessário agora, refletir sobre a ação missionária do Povo de Deus. De um lado, é preciso discernir quais sejam os campos que precisam de maior atenção, e, de outro, revitalizar a consciência missionária dos protagonistas da missão, revisar a sua maneira de entender a missão e de dar sentido a esse chamado. E sobretudo, trata – se de reavivar o espírito missionário para encarar com zelo missionário os desafios que sentimos hoje.
Características da ação missionária do povo de Deus: Desígnio do Pai, missão de Jesus e Ação do Espírito na Igreja. O desígnio de Deus é que todos os homens se salvem (Tm 3,5). Deus amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho (Jo 3,16). E Jesus envia os seus discípulos para que continuem a sua missão (“Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio”. Jo 20,20). Os discípulos, testemunhas de Jesus, realizam a sua missão pregando o Evangelho de Jesus Ressuscitado, revelador do amor do Pai para todos os homens e instaurador do Reino. Ele envia o seu Espírito para continuar a sua obra.
A ação missionária, em seguimento à Missão de Jesus, consiste na proclamação do Reino de Deus, instaurado por Cristo, que leva a uma conversão radical e se vive na fidelidade à sua Palavra e ao seu Espírito.
“Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, para isso é que fui enviado” (Lc 4,43). Jesus anunciou o Reino de Deus, a grande realização do amor de Deus, libertação de tudo aquilo que oprime o homem. Com muitos sinais e uma pregação infatigável mostrou que esse Reino já está presente e espera a sua realização definitiva.
Os discípulos, seguindo a Jesus, percebem que Ele é o Centro do Reino, a revelação do amor do Pai. E anunciam, com sinais e prodígios, que em Jesus todos os povos e raças foram chamados a ter a vida definitiva, que tem sua origem e consumação na própria vida comunitária da Trindade.
Todos são chamados a participar desse Reino. A todos é dada essa possibilidade. Invertendo as expectativas do seu tempo, Jesus fez sinais e pregou para homens e mulheres dentre os “gentios” e até procurou, especialmente, os “marginalizados” pelo sistema e culturas dominantes.
Os discípulos, sob a luz do Espírito Santo, entenderam que o agir de Jesus exigia ir, também, aos outros povos. E saíram para fazerem discípulos de todos os povos e raças.
O chamado de Deus aos pobres é origem da Missão. Para Jesus são eles os destinatários privilegiados da Missão: O objetivo fundamental da sua Missão é “anunciar a Boa Noticia aos pobres”, para isso Ele se sente ungido e enviado (Lc 4,18); declara – os bem – aventurados; multidões sofridas, famintas e cansadas, quais ovelhas abandonadas, cercam – no sem cessar, suscitando n`Ele profunda compaixão e ardente caridade pastora; aos pobres, em primeiro lugar, anuncia o Evangelho Salvador; para eles, principalmente, multiplica os milagres , sinais eloqüentes da libertação; com eles se identifica; dentre eles escolhe os seus Apóstolos. A Evangelização dos pobres é critério da autenticidade da Missão (Lc 7,22). Destinatários privilegiados da Missão, eles são, também, seus agentes principais e mais numerosos.
Missão um modelo antigo e sempre novo. Toda missão implica, pois, a opção pelos pobres; toda verdadeira e evangélica opção pelos pobres se explicita na missão, o primeiro e maior serviço que lhes podemos prestar.
A ação missionária não é um luxo de igrejas que abundam recursos e pessoal, mas é a dimensão essencial da própria eclesialidade.
O Reino de Deus em Jesus, dom do Pai, que todos podem receber como graça e misericórdia, exige uma conversão radical, uma modificação profunda dos modos de ver e do coração. Exige, também, inserir – se na comunidade dos que seguem a Jesus e escutam o seu mandamento “Ide, pregai a Boa Nova.”
A atuação missionária da Igreja parte da fé no Espírito Santo, protagonista principal de toda Missão eclesial; sua presença ativa brilha esplendidamente na missão “ad gentes”, agora como na Igreja primitiva. O mesmo Espírito que ungiu para a missão de Jesus de Nazaré é dado por Jesus aos seus Apóstolos, então como agora, juntamente com o mandato missionário. É ele que prepara os corações, nas diversas culturas e línguas, para acolher a semente da Palavra e aponta os caminhos da missão, através da história.
O Espírito nos ajuda a discernir as condições necessárias da missão hoje.
Como campos mais concretos que desafiam nossa opção pastoral hoje podemos destacar: a Missão “além fronteiras”, as regiões mais afastadas e a Amazônia, e as realidades urbanas. E como ambientes específicos: o sistema econômico – social, a diversidade das culturas, a comunicação e os jovens.
Sentimos o chamado a ir “alem fronteiras” como uma graça e um apelo: devemos doar a fé e termos experiências pastorais muito validas para partilhar com outros irmãos de quem também queremos conhecer as experiências e aprender.
Em algumas regiões do Pais exige mudanças um novo agir pastoral, novas atitudes, novos métodos, novos locais e espaços para o encontro e o dialogo pessoal. Uma vez evangelizados acontece a renovação da humanidade, através de novas ações e atitudes, sendo que essas atitudes e tarefas destacam – se, por sua importância, o testemunho, o anúncio e o diálogo.
Testemunho: É a primeira, insubstituível e permanente forma de evangelizar; é através do nosso testemunho que podemos assim despertar o gosto pela missão. O anuncio missionário, sempre se faz preceder e acompanhar da fidelidade a Cristo, da solidariedade com os irmãos, da caridade e do servir.
Anúncio: Não podemos reduzir a missão ao testemunho, pois temos como base, centro e vértice da Missão, o anúncio expresso de Jesus Salvador, Morto e Ressuscitado, por quem nos é oferecida a autentica libertação e a vida nova. De modo a despertar a resposta salvífica da fé.
Diálogo: É através do dialogo que os membros da Igreja imitam o amor e a paciência de Deus, que atuou e atua em todas as pessoas, povos e culturas e vai tecendo, misteriosamente a única história de salvação que todos envolve.
É de suma importância o dialogo entre os cristãos e os não cristãos, que após o Concilio Vaticano II, passou a olhar com bons olhos na posição salvífica esse contato, bem como outras religiões.
Se numa época recente a Missão parecia ser algo especifico de grupos ou seguimentos determinados do povo de Deus (padres, religiosas e religiosos), hoje está nascendo uma consciência clara de que a evangelização é tarefa de todos, e de maneira especial dos leigos. A proposta da Conferencia de Santo Domingos sobre o protagonismo dos leigos na ação evangelizadora dá um novo destaque a esta consciência.
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